Para mim, Malhação era um assunto pra lá encerrado. Não vislumbrava uma maneira de salvar o programa de um estado agonizante, que já se arrastava havia anos. Eu não aguentava mais a mesma história: rapaz é disputado por uma moça boa e outra má, que apronta o ano inteiro para se arrepender no último capítulo. Em todas as temporadas foi assim. É claro que o triângulo amoroso faz parte do folhetim clássico, mas é possível apresentar esse recurso com mais criatividade. O que não vinha acontecendo. A longuíssima fase estrelada pelos fracos Bruno Gissoni (Pedro) e Daniela Carvalho (Catarina) foi uma das piores de toda a trajetória de Malhação, apesar dos satisfatórios índices de audiência. E achei que, dessa vez, a série iria acabar. Mas eis que surge a relativamente novata Ingrid Zavarezzi com uma trama não necessariamente inédita, já que recauchuta assuntos de vários outros seriados. Mas que usa esses clichês com frescor, inteligência e bem gosto. Outra importante diferença entre as duas recentes temporadas de Malhação é a escolha do elenco jovem. Enquanto, na anterior, apenas Maria Pinna (Babi) e Nathalie Jourdan (Duda) foram os lançamentos realmente dignos de nota, na atual, vários atores iniciantes vêm se destacando. Ok! É cedo para afirmar isso. Mas que essa garotada causou boa impressão logo de cara, não dá para negar. Mas vamos analisar como foi a transição das temporadas:
Malhação 2010 ficará marcada pelas tramas paralelas. O drama enfrentado por Dona Zica (Inez Vianna), em sua luta contra o câncer de mama, foi tratado exemplarmente. Sem papas na língua, Dona Zica mostrou como é o fundo do poço de quem sofre desse mal e sua cura foi um bálsamo para o espectador. Mais conhecida por papéis cômicos na telinha, Inez deu um show de interpretação, em toda a via crucis enfrentada por sua personagem. Outra boa surpresa foi Marcello Melo Jr., perfeito nas trapalhadas de Maicon para realizar seu sonho de vivar um jogador de futebol famoso. E ele formou com Maria Pinna, a Babi, o melhor casal romântico da trama. Gostei também da participação de Ariela Massotti. Raquel trouxe energia para a história num momento de profundo marasmo e prometia roubar todas as cenas. Mas a personagem foi retirada da novela para causar um mistério, que não deu certo. Seu retorno não teve impacto e a explicação para o sumiço foi mal contada. Um desperdício!
Mas o maior pecado do autor Emanuel Jacobina foi seu casal de protagonistas. Pedro e Catarina eram titubeantes, chatos e sem consistência. Para piorar, seus intérpretes, Bruno e Daniela, não tinham carisma nenhum. O resultado: boa parte do público passou a torcer para Pedro ficar com Raquel e Catarina se conformar com o apagado Guilherme (Ivan Mendes). Malhação 2010 permaneceu quase um ano no ar, mas a impressão que fica é que durou muito mais. E isso não é um elogio…
Malhação 2011 já me ganhou de cara pela ousadia em abordar um tema raramente direcionado ao público jovem brasileiro: a paranormalidade. É um universo muito rico, que possibilita desde aventuras mirabolantes até estudos mais sérios. Por tudo o que já vi na primeira semana, Ingrid Zavarezzi optou pelo bom senso, mesclando ação com emoção, sem exagerar na dose. A nova temporada começou cheia de mistérios, como o significado do número 1046 (que evoca aos antológicos 4, 8, 15, 16, 23 e 42 da finada série Lost), os sonhos de Gabriel (Caio Paduan) com Babi (Marcella Rica) e a dificuldade de Alexia (Beatriz Arantes) em superar a morte do namorado, Douglas, vivido pelo excelente Pierre Baitelli. O tsunami dos blogs e redes sociais que invadiu o mundo também se faz presente na novela, o que é ótimo por modernizar e aproximar a novela de seu público. Ou seja: não faltará assunto para Ingrid desenvolver pelos próximos oito meses.
Do elenco, destaco a forte presença do protagonista Caio Paduan e a beleza estonteante de Thaís Melchior, a Cristal. Marcella Rica (Babi), Lucas Cordeiro (Betão), Beatriz Arantes, Juliana Lohmann (Débora), Carla Salle (Natália) e Felipe Haiut (Ziggy) também se mostraram bastante eficientes. A “velha guarda” – formada por Letícia Spiller (Laura), Regina Sampaio (Beatriz), Virginia Cavendish (Helena), Kadu Moliterno (Nelson), Jackson Antunes (Juarez), Soraya Ravenle (Sandra) e Anderson Müller (Ademir) – surge com as cerejas desses sundays juvenis. Há um sopro de vida rondando Malhação e sangue novo pulsando fortemente. Agora, se toda essa energia vai durar só o tempo dirá. Estou na torcida. E de olho…




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